REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA BRASILEIRA SOBRE A EXPERIÊNCIA EMOCIONAL DE IDOSOS EM USO DEPENDENTE DE ÁLCOOL
Integrative Review of the Brazilian Literature on the Emotional Experience of Older Adults with Alcohol Dependence
DOI: 10.24933/rep.v10i1.494
v. 10 n. 1 (2026)
LARA, Giovanni Ariel1; FARIA, Eduardo Bueno de2; AFONSO, Renan de Moraes3; ARAÚJO, Murilo Fernandes de4; CARIAS, Antonio Richard5;
1Psicólogo pela Universidade São Francisco (USF); 2Professor Especialista do Curso de Psicologia da Universidade São Francisco (USF); 3Professor Mestre do Curso de Psicologia da Universidade São Francisco (USF);4-5 Professor Doutor do Curso de Psicologia da Universidade São Francisco
RESUMO. O uso dependente de álcool na velhice constitui um fenômeno multifacetado e crescente no Brasil, com implicações relevantes para a saúde pública. Associado a fatores biológicos, sociais e emocionais, esse quadro frequentemente se apresenta de maneira silenciosa e negligenciada nos serviços de saúde. Diante desse contexto, o presente estudo de revisão integrativa tem como objetivo compreender, na literatura científica brasileira, as características da experiência emocional vivida por pessoas idosas em uso dependente de álcool. Para isso, foi realizada uma busca no Portal de Periódicos da CAPES, utilizando os descritores: “Idosos” e (“Abuso de Álcool” OU “Alcoolismo” OU “Álcool” OU “Droga”), considerando produções publicadas entre 2013 e 2023. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, cinco estudos compuseram o corpus final da revisão. As análises dos textos selecionados permitiram a construção de quatro eixos temáticos que descrevem aspectos centrais da experiência emocional de idosos com dependência alcoólica: “Vivendo com a Solidão”, “Desafios no Núcleo Familiar”, “Convivência Social” e “Doenças Físicas”. Os achados revelam que a solidão é uma vivência recorrente e estruturante na trajetória desses sujeitos, atuando como fator de risco para o consumo e como consequência do isolamento afetivo e social. Espera-se que este estudo contribua para o aprimoramento das políticas públicas e para a criação de estratégias psicossociais mais sensíveis às dimensões emocionais e relacionais da velhice marcada pela dependência do álcool.
Palavras-chave: Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias; Alcoolismo; Idoso.
ABSTRACT. Alcohol dependence in later life constitutes a multifaceted and increasingly prevalent phenomenon in Brazil, with significant implications for public health. Associated with biological, social, and emotional factors, this condition often presents in a silent and neglected manner within health services. In this context, the present integrative review aims to understand, within the Brazilian scientific literature, the characteristics of the emotional experience of older adults with alcohol dependence. To this end, a search was conducted in the CAPES Journal Portal using the descriptors: “Older Adults” and (“Alcohol Abuse” OR “Alcoholism” OR “Alcohol” OR “Drug”), considering publications between 2013 and 2023. After applying the inclusion and exclusion criteria, five studies composed the final corpus of the review. The analysis of the selected texts allowed the construction of four thematic axes that describe central aspects of the emotional experience of older adults with alcohol dependence: “Living with Loneliness,” “Challenges within the Family Context,” “Social Coexistence,” and “Physical Illnesses.” The findings reveal that loneliness is a recurrent and structuring experience in the trajectories of these individuals, acting both as a risk factor for alcohol consumption and as a consequence of affective and social isolation. It is expected that this study may contribute to the improvement of public policies and to the development of psychosocial strategies that are more sensitive to the emotional and relational dimensions of aging marked by alcohol dependence.
Keywords: Substance Use Disorders; Alcoholism; Older Adults.
O uso dependente de álcool configura-se como um relevante problema de saúde pública em diversos países (Global Burden of Disease, 2018). No contexto brasileiro, o álcool destaca-se como uma das substâncias que mais trazem prejuízos para os cidadãos brasileiros (Oliveira et al., 2023). Trata-se de um agente depressor do Sistema Nervoso Central (SNC), cujos efeitos comprometem significativamente funções cognitivas, como a atenção, a concentração e a memória, além de prejudicar o julgamento, reduzir a capacidade de resolução de problemas e alterar a velocidade de processamento das informações (Guidolin, 2016). A dependência alcoólica, caracterizada pelos fenômenos fisiológicos da tolerância e da síndrome de abstinência, contribui para o desenvolvimento de enfermidades hepáticas, neurológicas, cardiovasculares, gastrointestinais, bem como distintos tipos de câncer. Sob a perspectiva psicológica e social, o consumo crônico de álcool favorece o rompimento de vínculos afetivos e familiares, a redução da produtividade laboral, o aumento do absenteísmo, além de acentuar situações de estigma e exclusão social (Diehl; Cordeiro; Laranjeira, 2018).
O consumo de álcool é amplamente naturalizado em diversas culturas ao redor do mundo, o que contribui para que não seja, muitas vezes, reconhecido como um grave problema de saúde pública. O uso de substâncias psicoativas como estratégia para aliviar angústias e mitigar o sofrimento psíquico é uma prática recorrente, sendo o álcool um dos exemplos mais emblemáticos dessa lógica (Veerbeek et al., 2019). No entanto, seu consumo nunca está isento de riscos, tornando o indivíduo vulnerável ao desenvolvimento de um quadro de dependência, marcado por manifestações tanto físicas quanto psíquicas (American Psychiatric Association, 2013).
Cada etapa do ciclo vital é atravessada por desafios específicos que incidem diretamente sobre o processo de desenvolvimento humano. Para uma compreensão mais abrangente do sofrimento emocional vivenciado por indivíduos em uso dependente de álcool, torna-se essencial considerar as particularidades e impasses existenciais próprios da fase do ciclo vital em que tais sujeitos se encontram. Essa abordagem permite situar o sofrimento psíquico em sua dimensão histórica e relacional, ampliando a escuta e compreensão das dinâmicas envolvidas na dependência (Lal; Pattanayak, 2017). No imaginário social, o uso dependente de álcool frequentemente está associado a adolescentes e adultos (Cordeiro et al., 2021). Porém, quais são as particularidades vivenciadas por idosos que usam cronicamente essa substância? Quais os impactos do uso vividos por essa população?
Diante desses questionamentos, cabe mapear características dos idosos em uso dependente desta substância. O perfil mais comum entre os idosos brasileiros consumidores de álcool é composto majoritariamente por homens, com idade entre 60 e 79 anos, pardos, com baixa escolaridade - ensino fundamental incompleto - carência de fonte de renda e que vivem em união estável (IBGE, 2010; IBGE, 2022; Julik, 2024). Esses dados indicam que fatores socioeconômicos e demográficos específicos podem estar associados ao risco aumentado de uso crônico de álcool na velhice, o que reforça a necessidade de políticas públicas direcionadas a esse grupo vulnerável (Lessa; Assis, 2021). Na velhice, frequentemente os indivíduos se tornam fisicamente mais frágeis, o que potencializa riscos de quedas e acidentes. Idosos que fazem uso de álcool possuem maior dificuldade nas funções executivas, com grandes prejuízos no controle inibitório, flexibilidade cognitiva e perseveração (Bezerra et al., 2023). Além disso, a população idosa vivencia dificuldades quanto à aceitação de seu quadro de dependência e motivação para o tratamento (Veerbeek et al., 2019). Os sintomas da dependência química podem se assemelhar com outras alterações cognitivas que são comuns na velhice - como, por exemplo, irritabilidade e esquecimentos - o que facilita a negligência no processo de investigação e diagnóstico da dependência de substâncias (Nogueira et al., 2021).
No Brasil, há avanços na legislação e nas políticas públicas para as necessidades das pessoas idosas, o que inclui aquelas em uso dependente de álcool. A primeira iniciativa é a defesa da seguridade social na Constituição Federal de 1988. Por meio desta seguridade, os direitos à aposentadoria na velhice e da assistência social em momentos de vulnerabilidade são assegurados aos brasileiros (Brasil, 1988; Martins et al., 2007). A Lei nº 8.842/1994, frequentemente nomeada como Política Nacional do Idoso, possibilitou novo avanço na temática com a criação do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso. Por meio desta lei, a velhice é concebida como etapa ativa do ciclo vital e que deve ser valorizada e respeitada pela sociedade (Brasil, 1994). A Lei nº 10.741/2003, conhecida como Estatuto do Idoso, possibilita ampliar a proteção social e jurídica desta população, nomeando crimes e garantindo direitos (Brasil, 2003). Já a Portaria nº 2.528/2006, conhecida como Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, amplia as proteções sociais e jurídicas para o cuidado em saúde física e mental (Brasil, 2006). Atualmente, destaca-se o Programa “Envelhecer nos Territórios” que visa garantir direitos e promover cidadania (Brasil, 2023).
Cabe destacar que no modelo contemporâneo de socialização capitalista, marcada pela lógica da descartabilidade das pessoas e das relações humanas, o idoso é frequentemente marginalizado e reduzido ao estereótipo de ‘improdutivo’ (Silva et al., 2022). Neste modelo de socialização em que a pessoa idosa é desvalorizada pela sua condição existencial, há discursos e práticas que estigmatizam, excluem e punem as pessoas na terceira idade.
A violência física e psicológica à pessoa idosa é crime passível de investigação e punição. Porém, na lógica capitalista e desumanizante anteriormente mencionada, há uma naturalização da violência a essa população (Silva et al., 2023). Considerando as múltiplas camadas de vulnerabilidades vividas pelas pessoas idosas, particularmente aquelas que são usuárias de substâncias, o presente estudo de revisão de literatura integrativa objetiva mapear as características da experiência emocional vivida por pessoas idosas em uso dependente de álcool no Brasil.
O presente estudo é uma revisão integrativa da literatura sobre a experiência emocional de pessoas idosas em uso dependente de álcool. Considera-se pessoas idosas os indivíduos acima de 60 anos. Para acessar características da experiência emocional vivida por esse público que faz um uso dependente de álcool, a busca focou em artigos teóricos, qualitativos ou de abordagem mista (quanti-quali) que pudessem descrever as vivências narradas em primeira pessoa por essa população.
A presente revisão seguiu o rigor metodológico científico com etapas bem definidas, passíveis de replicabilidade, além de critérios de elegibilidade e exclusão em acordo com o objetivo da pesquisa, coleta de dados com devida checagem e análise crítica das informações extraídas (Souza; Silva; Carvalho, 2010). Toda a pesquisa e seleção das produções aqui presentes foram realizadas entre os meses de fevereiro e março de 2024. Os procedimentos de seleção e extração dos dados foram realizados por dois revisores/autores. Não houve procedimento de avaliação da qualidade metodológica dos estudos revisados. A literatura cinzenta não foi considerada para complementar a busca nas bases de dados.
Para compor a revisão de literatura, foram realizadas buscas no Portal de Periódicos da CAPES. As buscas consideraram produções brasileiras em português ou inglês dos últimos dez anos, ou seja, pesquisas publicadas entre 2013 e 2023. As palavras-chaves utilizadas foram as combinações dos seguintes termos: "Idosos” E (“abuso de álcool” OU “alcoolismo” OU “álcool” OU “droga”). Estabeleceu-se como critério de inclusão produções empíricas ou teóricas que dialogam com o objetivo da presente revisão, apresentando características da experiência emocional de idosos brasileiros que fazem uso dependente de álcool. Como critérios de exclusão definiu-se artigos que não se relacionavam com o objetivo dessa revisão, bem como os duplicados, as dissertações e teses, artigos de revisão de literatura, pesquisas não qualitativas ou de abordagem mista ou teóricas, pesquisas quantitativas, além das produções que não tinham como foco a experiência emocional de idosos, o uso do álcool ou com população brasileira. Foram descartados os estudos que focavam na experiência de idosos com uso de diferentes substâncias psicoativas, mesmo que incluísse o álcool.
A revisão integrativa da literatura seguiu etapas que garantem o rigor metodológico. A primeira consistiu na análise de títulos e resumos de artigos recuperados no Portal de Periódicos da CAPES, selecionando-se apenas aqueles relacionados à temática do estudo, isto é, às características da experiência emocional de pessoas idosas em uso dependente de álcool. A segunda etapa envolveu a exclusão de artigos duplicados ou apenas tangencialmente relacionados ao tema. Em seguida, procedeu-se à leitura integral dos textos restantes, definindo-se o corpus final da revisão. As publicações desse corpus foram lidas na íntegra e analisadas segundo os critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, sendo extraídas as informações pertinentes à pesquisa. Foram catalogados dados referentes ao ano de publicação, autores, objetivo do estudo e temas relacionados ao conteúdo experiencial do público-alvo. Com base nesses dados, elaboraram-se um fluxograma segundo o modelo PRISMA (Figura 1) e uma tabela descritiva dos artigos (Figura 2).
Figura 1. Estratégias de busca e seleção de artigos no modelo PRISMA.
Fonte: Elaborado pelos autores.
Com base no fluxograma do processo de revisão da literatura (Figura 1), observa-se que a busca inicial resultou em 525 publicações. Após a leitura dos títulos e resumos e a exclusão de duplicatas, permaneceram 26 estudos. A leitura integral desses 26 textos levou à seleção final de 5 publicações, que compõem os resultados deste trabalho. A partir dessa seleção, elaborou-se a Tabela 1, na qual se apresentam informações descritivas referentes às cinco publicações incluídas, como autores, ano de publicação, objetivos e aspectos relacionados à experiência emocional de idosos com uso dependente de álcool.
Tabela 1. Corpus Final da Revisão de Literatura
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Ano |
Nome do artigo |
Autor(es) |
Objetivo |
Principais Resultados |
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2015 |
A dependência do álcool na dialética do envelhecimento |
Martins |
Analisar o envelhecimento associado ao alcoolismo, buscando identificar como o uso dependente de álcool se articula na história de vida do idoso. |
Estudo Teórico - reflexivo sobre a vivência de idosos em uso problemático de álcool. O álcool se faz presente na vida do idoso como refúgio e cumpre o papel de aliviar diversos desafios do processo de envelhecer, cabendo a família, profissionais e sociedade intervir para mudar essa realidade. Dependência de álcool intensifica a vulnerabilidade física, emocional e agravos à saúde no idoso. Dependência de álcool como fenômeno multifatorial. Demanda intervenções psicossociais e políticas públicas sensíveis à demanda. |
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2017 |
Os itinerários terapêuticos de idosos que fazem uso problemático de álcool |
Lima, Ferreira, Luis, Vieira, Carvalho e Azevedo |
Conhecer o itinerário terapêutico de idosos que fazem uso problemático de álcool |
Estudo Empírico com entrevistas qualitativas. Pesquisadores entrevistaram 8 idosos do sexo masculino - intervalo de idade entre 60 a 70 anos - que frequentam um CAPS AD. Foi realizada entrevistas semiestruturadas e a Análise de Conteúdo foi o método de análise dos dados. Os idosos narraram os serviços de entrada para o cuidado em saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS): Unidade Básica de Saúde (UBS), Pronto Atendimento, Casa de Apoio, Hospital Geral e Hospital Psiquiátrico. O CAPS AD é o serviço de referência no itinerário terapêutico. Os idosos relatam o estigma, exclusão e solidão presentes no olhar das pessoas quando descobrem a dependência de álcool. O texto também apresenta a fragmentação dos serviços na rede assistencial como importante desafio para elaborar estratégias de cuidado sensíveis à história singular de cada indivíduo. Adoecimento físico impacta a qualidade de vida dos entrevistados. |
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2018 |
Vivências de idosos alcoolistas: contribuições para a enfermagem gerontológica |
Viegas, Siqueira, Donato, Mauro, Farias e Silvam |
Identificar as causas do uso abusivo de bebidas alcoólicas por idosos |
Pesquisa empírica, de abordagem qualitativa, usando o método da história de vida. Foram entrevistados 22 idosos, tendo como cenários das entrevistas um albergue público e três grupos de mútua ajuda dos Alcóolicos Anônimos (AA). Além das entrevistas gravadas em áudio, foi utilizado um diário de campo para coletar dados quanto à expressão emocional e comportamental dos idosos. Foi realizada uma análise temática dos dados coletados. Os resultados indicam que os idosos tendem a narrar desafios ou experiências traumáticas familiares - incluindo a família de origem na infância - como motivo para o comportamento de beber. Descrevem a influência social, particularmente entre amigos e pares, como gatilho importante para o álcool na história de vida. |
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2019 |
Representação social do consumo de álcool em idosos de uma população quilombola |
Neves, Franklin, Nascimento, Adorno e Vilela |
Compreender as palavras evocadas por idosos de uma população quilombola acerca do consumo de álcool |
Pesquisa quanti-quali (método misto) com idosos quilombolas acerca do uso de álcool. Foi utilizada a Técnica de Evocação Livre de Palavras (EVOC). Foram entrevistados 60 idosos, público majoritariamente feminino e com baixa escolaridade. A dependência de álcool foi vista como comportamento negativo, marcado por vulnerabilidades. O uso de álcool potencializa a vulnerabilidade de idosos e suas famílias, sendo necessário orientação para os membros familiares e elaboração de estratégias protetivas aos idosos. |
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2022 |
Vivências de idosos dependentes de álcool: teoria fundamentada nos dados |
Destro, Marin, Otani, Selleti e Higa |
Interpretar as vivências dos idosos dependentes de álcool |
Pesquisa empírica, de abordagem qualitativa, usando como método de análise a Teoria Fundamentada nos Dados. Os cenários da coleta são equipamentos de saúde da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de um município - incluindo Unidade Básica de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em diferentes modalidades. O total de 25 idosos foram entrevistados. A produção evidencia que idosos realizam o consumo dependente de álcool como forma de lidar com emoções negativas, o que os leva a ficarem expostos a consequências negativas à sua saúde. Os idosos em abstinência expressam sentimentos de solidão e arrependimento, recebendo tratamento e conscientização dos malefícios da dependência. Adoecimento físico impacta a qualidade de vida dos idosos. |
Para fins de organização e aprofundamento da análise, a discussão foi estruturada em quatro eixos temáticos sobre as características da experiência emocional vivida por idosos dependentes de álcool: 1) Vivendo com a Solidão, 2) Desafios no Núcleo Familiar, 3) Convivência Social e 4) Doenças Físicas.
Eixo Temático 1 – Vivendo com a Solidão
A partir da leitura das produções analisadas, foram extraídas informações relevantes para esta revisão de literatura, especialmente no que diz respeito à solidão na velhice e aos elementos que se relacionam com esse sentimento. A análise aprofundada dos cinco estudos selecionados para esta revisão (Tabela 1) sugere que a solidão é um componente significativo e, por vezes, central na experiência de idosos brasileiros que fazem uso de álcool. O estudo de Destro et al. (2022) é o mais explícito a esse respeito, ao evidenciar que os idosos participantes recorriam ao álcool como forma de lidar com emoções negativas e, notadamente, expressavam sentimentos de solidão durante a abstinência. Corroborando essa perspectiva, ainda que de forma menos direta, Martins (2015) aponta que o álcool surge como um 'refúgio' para aliviar diversos desafios do processo de envelhecer, uma categoria na qual a solidão, o isolamento e a perda de papéis sociais são frequentemente incluídos como desafios significativos. Embora os estudos de Lima et al. (2017), Viegas et al. (2018) e Neves et al. (2019) não destaquem a solidão com a mesma proeminência em seus objetivos ou resultados principais resumidos na Tabela 1, suas investigações sobre os itinerários terapêuticos, as causas do uso abusivo, e as representações sociais do consumo de álcool, respectivamente, permitem se inferir a relevância desse sentimento. Por exemplo, a fragmentação dos serviços assistenciais ou a necessidade de acolhimento em centros de convivência podem ser tanto causas quanto consequências, respectivamente, de um isolamento que agrava ou é agravado pela solidão.
Ampliando a reflexão para além dos artigos do escopo da revisão, observa-se que a solidão na terceira idade está ligada às transformações nas estruturas familiares e à crescente tendência de viver sozinho, fatores que intensificam o isolamento social (Bessa et al., 2024). Aspectos como gênero e estado civil também influenciam essa experiência, sendo observado um maior isolamento entre homens, o que pode acentuar sentimentos de inutilidade e quadros depressivos (Bessa et al., 2024). Além disso, fatores como baixa escolaridade, idade avançada, ausência de filhos, viuvez, presença de doenças crônicas, privação da convivência familiar e comunitária e o ambiente social em que o idoso está inserido contribuem significativamente para o surgimento e a intensificação da solidão (Araújo et al., 2024).
Mudanças socioculturais como a globalização, a digitalização e a transição urbana agravam a percepção de abandono entre os idosos, tornando-os mais vulneráveis ao sentimento de solidão (Araújo et al., 2024). A longevidade, por sua vez, expõe os indivíduos a perdas sucessivas de vínculos sociais, especialmente em situações de institucionalização, em que a fragilidade das conexões familiares e comunitárias tende a ser mais evidente (Martins; Almeida; Carreira, 2023).
Sandy, Borim e Neri (2023) apontam uma maior prevalência de solidão entre mulheres, idosos que vivem sozinhos, com baixa escolaridade, que apresentam sintomas depressivos e que avaliam negativamente sua saúde e qualidade do sono. A solidão, portanto, não está necessariamente atrelada à idade cronológica, mas a um conjunto de experiências de vida, como aposentadoria e viuvez, além de fatores como recursos materiais limitados e condições de saúde fragilizadas. A baixa escolaridade, por exemplo, pode refletir uma ligação indireta com menor renda, maior exposição a estresse crônico e vínculos sociais mais restritos e de menor qualidade (Martins et al., 2023; Sandy et al., 2023; Araújo et al., 2024).
Nesse contexto, destaca-se também a relação entre solidão e o uso de álcool em pessoas idosas. O sentimento persistente de solidão pode funcionar como um fator de risco para o consumo de bebidas alcoólicas, sendo utilizado como estratégia de enfrentamento emocional (Cordeiro et al., 2021; Moura et al., 2023). A ausência de suporte social efetivo, aliada à sensação de isolamento, pode levar ao desenvolvimento de padrões de consumo abusivo, especialmente entre aqueles que vivenciam perdas afetivas significativas, como a viuvez, ou que enfrentam dificuldades em manter laços familiares e comunitários (Cordeiro et al., 2021). Assim, o uso de álcool aparece não apenas como um fator de risco da saúde física e mental, mas também como um reflexo da precariedade dos vínculos sociais na velhice (Destro et al., 2021).
Para além de identificar a presença da solidão, uma análise mais aprofundada dos estudos selecionados permite compreender diferentes compreensões dessa angústia e suas conexões com o abuso de álcool. No estudo de Destro et al. (2022), a solidão é debatida como uma vivência proeminente na abstinência e associada a emoções negativas, enquanto o álcool é descrito como o refúgio por Martins (2015) de uma solidão preexistente, talvez ligada aos desafios do processo de envelhecer como perdas de papéis ou viuvez. A necessidade de acolhimento adequado mencionada por Viegas et al. (2018) pode indicar uma solidão decorrente da exclusão social ou da falta de espaços de pertencimento, ao passo que a fragmentação dos serviços assistenciais (Lima et al., 2017) e a necessidade de orientação familiar (Neves et al., 2019) apontam para uma solidão exacerbada por falhas no suporte formal e informal. A integração da análise dos cinco estudos revela, portanto, que a solidão na experiência de idosos usuários de álcool não é um construto monolítico, mas uma experiência multideterminada que pode se manifestar como causa, consequência ou modulador do consumo, variando em sua expressão e peso conforme o contexto e a trajetória individual.
Eixo Temático 2 – Desafios no núcleo familiar
Os desafios no núcleo familiar e a importância do suporte familiar são consistentemente apontadas nos estudos, destacando a necessidade de intervenções que incluam a família (Martins, 2014; Neves et al., 2019) e configurando-se como um dos principais desafios relacionados ao uso dependente de álcool na velhice. Segundo Cordeiro et al. (2021), esse padrão de consumo contribui para o distanciamento entre os membros da família, sendo fator relevante no rompimento de vínculos conjugais, especialmente quando os impactos do uso se tornam críticos, comprometendo a estrutura e a funcionalidade familiar. Ainda de acordo com os autores, o uso abusivo ou dependente está frequentemente atrelado ao abandono de responsabilidades sociais e familiares, o que acentua o isolamento e a vulnerabilidade do idoso. A perda da confiança de filhos e cônjuges compromete os vínculos afetivos e, paralelamente, provoca prejuízos em outras esferas da vida, como a perda de oportunidades profissionais. Esses efeitos são reconhecidos por idosos que relatam a progressão da dependência alcoólica e a perda do controle sobre o consumo (Cordeiro et al., 2021).
A dificuldade nas relações familiares tende a estabelecer-se como um ciclo pois, o sujeito, ao se ver isolado e afetado pelas consequências de seus atos, intensifica o consumo como forma de aliviar o sofrimento gerado pelo próprio vício (Moura et al., 2023; Martins, 2023). Nesse cenário, destaca-se a importância da presença de familiares e amigos como elementos fundamentais para a adesão ao tratamento. A ausência dessas redes de apoio pode levar o idoso a postergar a busca por assistência, recorrendo novamente ao álcool como forma de conforto (Lima et al., 2024).
Nesse sentido, torna-se essencial um acolhimento adequado não apenas ao idoso, mas também aos seus familiares. Embora exerçam papel fundamental no apoio ao tratamento, os familiares também são sujeitos com conflitos, desejos e limites próprios (Carias; Granato, 2023). Assim, é necessário que a responsabilidade pela recuperação não recaia unicamente sobre eles, mas que possam atuar como suporte, sempre que possível e de forma equilibrada (Carias; Granato, 2025; Moura et al., 2023; Lima et al., 2024).
Eixo Temático 3 – Convivência Social
Outro fator que o alcoolismo na velhice está relacionado são às dinâmicas familiares e sociais, refletindo e, ao mesmo tempo, sendo reflexo das tensões vivenciadas pelos idosos em seu cotidiano (Lessa; Assis, 2021). Para além das questões ligadas ao núcleo familiar, os vínculos sociais assumem papel central na compreensão do uso dependente de álcool. Nos textos levantados para a presente revisão, essa temática aparece com destaque para o papel da sociedade e de espaços como centros de convivência como potenciais mitigadores do isolamento (Martins, 2014; Viegas et al., 2018). Assim como os mais jovens, muitos idosos adotam comportamentos de risco em busca de pertencimento social (Moura et al., 2023). Nesses casos, o consumo de álcool torna-se uma estratégia para evitar a solidão, sendo utilizado como meio de manter uma vida social ativa (Viegas et al., 2018).
Esse fator configura-se como uma das principais causas associadas ao uso excessivo de álcool na terceira idade (Alarcon et al., 2022; Neves et al., 2019; Cordeiro et al., 2021). Frente ao sentimento de solidão, muitos idosos recorrem à bebida alcoólica como forma de autocompensação emocional e de inserção em espaços de convívio. Locais como bares passam a funcionar como espaços simbólicos de pertencimento, proporcionando sensações momentâneas de prazer, segurança e bem-estar (Mazer et al., 2024). Tal comportamento pode ser interpretado como uma forma de "automedicação" frente a conflitos psíquicos e carências afetivas. Apesar disso, o consumo de álcool entre idosos ainda é fortemente associado a aspectos negativos, como dependência, prejuízos à saúde e violência, o que reforça o estigma social em torno desse comportamento (Neves, 2019).
A participação em atividades comunitárias e práticas integrativas tem se mostrado uma estratégia eficaz na promoção do bem-estar e na redução do isolamento social entre idosos (Lima et al., 2024). Tais iniciativas, ao se distanciarem dos modelos tradicionais de cuidado, favorecem a construção de vínculos e a ampliação das redes sociais (Lima et al., 2024). No entanto, o acesso a essas atividades ainda é desigual. Idosos em maior vulnerabilidade socioeconômica enfrentam barreiras estruturais como transporte público precário e limitações nos serviços de saúde, dificultando sua participação em ações coletivas e acentuando o risco de exclusão social (Mazer et al., 2024).
O alcoolismo na velhice, portanto, deve ser compreendido como um fenômeno multifacetado, cujos efeitos extrapolam o indivíduo, afetando significativamente as relações sociais. Moura et al. (2023) destacam que os próprios idosos reconhecem os impactos negativos do consumo dependente de álcool em sua convivência social e no enfraquecimento dos laços afetivos. A ausência de vínculos familiares, relações conflituosas e a fragilidade das conexões sociais são fatores que aumentam a vulnerabilidade ao uso problemático de substâncias (Moura et al., 2023).
O álcool pode representar uma estratégia de enfrentamento diante da desmotivação, do abandono e da falta de sentido na vida, funcionando como um recurso imediato na busca por prazer e pertencimento, sendo que amizades negativas também podem atuar como fator de risco para o início ou a manutenção do consumo (Moura et al., 2023). Além disso, embora o uso de bebidas alcoólicas seja socialmente incentivado, ao se tornar problemático, a forma como a sociedade lida com esses casos é marcada por preconceito e exclusão, o que intensifica o estigma vivido pelos idosos dependentes (Moura et al., 2023).
As mulheres, por sua vez, demonstram maior motivação para participar de iniciativas voltadas à socialização e ao bem-estar, sendo mais propensas a buscar oportunidades de interação social (Julik, 2024). Nesse contexto, o estudo de Silva et al. (2022) evidenciou que idosos abstêmios apresentaram melhor funcionalidade física, especialmente no que se refere à mobilidade, quando comparados aos consumidores de álcool. Essa funcionalidade está diretamente relacionada à realização de atividades cotidianas e à manutenção de uma vida social ativa. A redução da mobilidade, agravada pelo consumo de álcool, contribui para o isolamento e para a limitação da participação comunitária (Silva et al., 2022).
Eixo Temático 4 – Doenças físicas
Uma questão importante a ser considerada é a semelhança entre alguns sintomas do uso crônico de álcool e as alterações comuns no envelhecimento. O uso abusivo de álcool por idosos pode representar um desafio significativo desde os primeiros contatos com a equipe de atenção à saúde (Cordeiro et al., 2021). Os sintomas decorrentes do consumo excessivo de álcool podem se confundir com aqueles originados de doenças crônicas típicas dessa fase da vida, como perda de memória, alterações na capacidade de julgamento, dificuldades de abstração e mudanças no comportamento (Diehl; Cordeiro; Laranjeira, 2018). Além disso, Neves et al. (2021) destacam que o consumo excessivo de álcool pode levar à dependência e ao desenvolvimento de diversas complicações de saúde, como a cirrose hepática. Isso faz com que o consumo de álcool seja frequentemente visto de maneira negativa entre a população idosa (Destro et al., 2022).
Dados epidemiológicos recentes revelam um aumento preocupante no consumo de bebidas alcoólicas entre os idosos (Lima et al., 2024). Esse aumento reflete diretamente nos desdobramentos clínicos, com uma presença significativa dessa faixa etária nos indicadores de internações e óbitos relacionados ao uso de álcool, evidenciando um impacto considerável na saúde pública (Lima et al., 2024; Julik et al., 2024). Portanto, é fundamental discutir e otimizar as políticas públicas voltadas para esse grupo, que já enfrenta diversos estigmas e frequentemente se vê marginalizado no núcleo social. Uma estratégia eficaz seria o desenvolvimento de ações de promoção da saúde e prevenção de agravos, conduzidas por equipes multiprofissionais em conjunto com a participação ativa da família, pois o manejo adequado dessa condição envolve múltiplas dimensões inter-relacionadas (Alarcon et al., 2022).
Além disso, a literatura indica uma forte relação entre o transtorno do uso de álcool e drogas e a presença de doenças crônicas, especialmente transtornos psiquiátricos, com ênfase na depressão; condição prevalente entre idosos, mas muitas vezes subdiagnosticada e negligenciada (Julik et al., 2024). Essa associação se intensifica quando há fatores como violência doméstica, divórcio e declínio social e financeiro, resultando em um quadro complexo que exige intervenções multidimensionais para atenuar os efeitos do alcoolismo nessa faixa etária (Moura et al., 2023).
Muitos idosos tendem a negar os efeitos do álcool, minimizando seu uso e evitando buscar ajuda para seus problemas de saúde, acreditando ter controle sobre o consumo (Destro et al., 2022). Alterações fisiológicas típicas do envelhecimento tornam esse grupo mais vulnerável aos efeitos do álcool, especialmente quando há uso concomitante de medicamentos (Destro et al., 2022). Além disso, o alcoolismo pode agravar questões como divórcio e estresse, afetando diretamente a saúde física do idoso (Destro et al., 2022).
Práticas regulares de atividade física são menos comuns na velhice, enquanto a presença de comorbidades - caracterizada por duas ou mais doenças crônicas - é mais prevalente (Silva et al., 2023; Julik et al., 2024). A multimorbidade nessa população está associada a fatores como hábitos de vida, contexto socioeconômico e estrutura familiar, o que contribui para o agravamento do quadro clínico (Mazer et al., 2024). Como consequência, observa-se um aumento na demanda por serviços de saúde, refletindo o impacto das doenças crônicas na qualidade de vida dos idosos (Silva et al., 2023).
Cordeiro et al. (2021) apontam que o uso de substâncias psicoativas, como o álcool, entre pessoas idosas é um fenômeno complexo, frequentemente associado a perdas, limitações físicas e mudanças, como a aposentadoria. Embora o consumo de álcool seja naturalizado como prática social em muitas culturas, ele tem impactos significativos na saúde e na qualidade de vida dos idosos (Cordeiro et al., 2021). O mesmo estudo observa que as mulheres tendem a procurar mais os serviços de saúde, enquanto os homens, em geral, evitam buscar ajuda por receio de receber diagnósticos negativos relacionados à saúde mental, o que pode dificultar as intervenções em casos de transtornos decorrentes do uso de substâncias (Cordeiro et al., 2021).
Esta revisão da literatura nacional/brasileira, a partir da análise crítica de cinco estudos (Martins, 2014; Lima et al., 2017; Viegas et al., 2018; Neves et al., 2019; Destro et al., 2022), converge para a constatação de que a solidão se configura como um elemento transversal e de considerável impacto na experiência de idosos brasileiros que fazem uso dependente de álcool. Coletivamente, os achados indicam que o consumo de álcool frequentemente emerge como uma estratégia percebida para o alívio de sentimentos negativos e para o enfrentamento dos desafios psicossociais do envelhecimento, nos quais a solidão se destaca como uma vivência dolorosa e um possível catalisador para a manutenção do uso da substância, especialmente diante de vínculos sociais e familiares fragilizados ou insuficientes e dificuldades no acesso a um cuidado integral e humanizado.
Uma atenção especializada voltada especificamente para lidar com essa solidão não só promoveria uma otimização na qualidade experiencial desses idosos em uso de álcool, como também beneficiaria o tratamento, aumentando a adesão e possivelmente a eficácia deste. Além desses pontos, suprir essa demanda se mostra como um potencial colaborador nas questões de problemas sociais, já que o aumento do uso do álcool é um dos principais fatores limitantes do desenvolvimento social e econômico a nível global (Global Burden of Disease, 2018)).
Por fim, menciona-se as limitações deste estudo, o qual permitiu uma análise qualitativa focada, mas representa apenas um recorte da produção científica brasileira sobre um tema complexo. Observou-se, por exemplo, que embora os estudos selecionados tangenciem a importância das redes de apoio e da convivência social (Martins, 2014; Viegas et al., 2018; Neves et al., 2019), há pouca exploração aprofundada sobre como diferentes tipos de vínculos e a influência de pares podem atuar especificamente como fatores de risco ou proteção para o uso de álcool associado à solidão em idosos. Estabelece-se como sugestão para outros estudos, avaliar o quanto grupos podem influenciar comportamentos não-saudáveis em idosos.
Os dados levantados na presente revisão, ao trazerem a compreensão da solidão como um fenômeno central na experiência de idosos que fazem uso dependente de álcool e ao apontarem para a fragilidade dos suportes sociais e familiares (Martins, 2014; Neves et al., 2019) e para as dificuldades nos itinerários terapêuticos (Lima et al., 2017), demandam uma reorientação das políticas públicas e das práticas de cuidado. Torna-se crucial que as intervenções transcendam o foco exclusivo na cessação do uso de álcool, incorporando estratégias robustas de promoção da saúde mental e de fortalecimento de vínculos sociais, compreendendo que as redes de suporte social, formais e informais, atuam como fatores protetores da saúde mental, especialmente quando há vínculos de qualidade com familiares e amigos (Bessa et al., 2024). Especificamente, recomenda-se o fomento de programas na Atenção Primária à Saúde e em Centros de Convivência que visem ativamente combater o isolamento, oferecer suporte psicossocial para o manejo da solidão, e capacitar familiares e a comunidade para identificar e apoiar idosos em vulnerabilidade, integrando essas ações ao plano de cuidado e prevenção do etilismo na terceira idade.
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Recebido em: 04/08/2025
Publicado em: 17/03/2026